Cavaco Silva

A frase “para serem mais honestos do que eu têm que nascer duas vezes” que Cavaco Silva proferiu no debate do passado dia 23 de Dezembro, não se coaduna com as atitudes do recandidato à Presidência da República.

Se a honestidade de Cavaco Silva é tão grande como ele apregoa, porque não responde às questões levantadas por outros candidatos acerca das acções da SLN que deteve entre 2003 e 2005?

Pois é, segundo Cavaco Silva, está tudo explicado no site da Presidência da República. O problema é que no site da Presidência da República não existe nenhuma explicação acerca da compra e venda das acções da SLN, mas a resposta continua a ser a mesma.

E onde está a coerência de um Presidente da República que afirma não concordar com os cortes ao financiamento do ensino privado mas promulga a respectiva lei?

E onde está a coerência de um Presidente da República que afirma não concordar com os casamentos entre pessoas do mesmo sexo mas promulga a respectiva lei?

E o que dizer de Cavaco Silva ter acumulado, em simultâneo, as funções de professor na Universidade Católica e na Universidade Nova de Lisboa, e por raramente ter dado aulas nesta última ter sido alvo de um processo disciplinar (cujo resultado é desconhecido) por faltas injustificadas?

Certamente a compensação financeira por dar aulas na Universidade Nova de Lisboa não seria comparável com a choruda compensação oferecida pela Universidade Católica, pelo que a escolha era óbvia. Terá sido mais um caso de “honestidade” de Cavaco Silva?

Neste caso, a justificação para tal facto não está no site da Presidência da República, mas sim na “campanha suja” levada a cabo pelos outros candidatos, à qual o candidato Cavaco Silva não responde.

Quando interessa, já se justifica que a honestidade possa ser “contornada“.

E como qualificar Cavaco Silva quando, abordado por uma mulher que se queixou de não ter dinheiro para alimentar o filho, lhe respondeu que procurasse “uma instituição de solidariedade que não seja do Estado”? (ver vídeo)

É esta a resposta que um Presidente da República deve dar aos Portugueses?

Quando os assuntos são incómodos para Cavaco Silva, a resposta é, invariavelmente, remeter os interessados para o site da Presidência da República ou hastear a bandeira da “campanha suja” que não merece resposta do candidato.

Pode, Cavaco Silva, de livre consciência, afirmar “os Portugueses conhecem-me bem“?

É este o Presidente da República que queremos para os próximos 5 anos?

Manuel Alegre

E o que dizer acerca de Manuel Alegre no caso da publicidade ao BPP?

Pela manhã afirma que o cheque recebido para o pagamento do seu texto “Um Par de Purdeys” (ver em formato PDF – 12MB) foi devolvido em mão pela sua secretária à agência de publicidade, mas na mesma tarde chegou à conclusão que o pagamento do referido texto tinha sido feito por transferência para a sua conta bancária.

Foi notória a sua atrapalhação e contradição quando questionado acerca do assunto. Algo que não ficaría bem a um Presidente da República.

Falta, ainda, mencionar o facto de, no referido texto, Manuel Alegre escrever que “o vencimento de um deputado é uma pelintrice…”.

Por esta ordem de ideias, como deveremos qualificar o ordenado mínimo, o vencimento médio dos trabalhadores Portugueses ou as pensões que se pagam neste País?

Francisco Lopes

O candidato do PCP, é o espelho de um partido que não soube acompanhar a evolução dos tempos e do País e que utiliza, há mais de 3 décadas, a mesma cassete, tão gasta que já são poucos os que conseguem escutar o que lá está gravado.

Defensor de Moura

Sobre Defensor de Moura, não há muito a dizer, pois uma candidatura de um deputado do PS, que corre o risco de prejudicar o candidato oficial do seu partido (Manuel Alegre), cuja principal “bandeira” é a regionalização (que não depende do Presidente da República) e cujas acções de campanha decorrem na sua maioria no Minho, parece ter como grande objectivo a satisfação do ego do candidato.

José Manuel Coelho

Como desta vez a candidatura de Manuel João Vieira, que costuma trazer um tom humorístico às eleições presidenciais, não foi para a frente, aparece José Manuel Coelho (do PND) a reclamar o papel de candidato humorista, com uma vã esperança de imitar o feito do famoso “Tiririca” nas eleições brasileiras.

Fernando Nobre

Finalmente, a candidatura de Fernando Nobre apresenta-se como a única que é apartidária, sem defender interesses instituídos.
Fernando Nobre é o melhor homem entre todos os candidatos e o único com um currículo verdadeiramente ao serviço dos outros.

Segundo o manifesto de Fernando Nobre, o principal objectivo da sua actuação como Presidente da República será “o combate à exclusão, à pobreza e à fome”, mas também “a redução do número de deputados, a revitalização da agricultura, indústria e pescas”.

Se o facto de ser uma candidatura apartidária já tinha cativado a minha simpatia, os objectivos enunciados no seu manifesto eleitoral, alicerçados pelo seu percurso e provas de cidadania, fazem com que o meu voto no próximo dia 23 de Janeiro seja para Fernando Nobre.


Gloriosas saudações Barrosianas…..