Já muito foi dito e escrito acerca da greve dos trabalhadores da HPEM no final do mês de Agosto de 2010.

Não vou discutir a justeza dos motivos da realização desta greve, nem sequer as suspeitas de ilegalidades cometidas pela administração da HPEM que foram apresentadas na Assembleia Municipal de Sintra e cujos resultados de um inquérito às mesmas se espera que sejam apresentados na próxima Assembleia Municipal, que decorrerá no dia 17 de Setembro de 2010.

No entanto, considero necessário esclarecer alguns pontos que, em minha opinião, deixam os trabalhadores da HPEM, tal como o STAL (Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local), numa posição incómoda e injustificada.

Como todos deverão ter conhecimento, os trabalhadores da HPEM convocaram uma greve parcial,

a efectuar de 24 a 31 de Agosto de 2010, durante duas horas consecutivas, no início da jornada de trabalho

Esta greve tem por objectivos:

  1. Defender o emprego, combater a precariedade;
  2. Solidariedade com os trabalhadores cujo contrato não foi renovado.

Ver: Pré-aviso de greve do STAL

No entanto, ao contrário do que está escrito no pré-aviso de greve, verificou-se que a greve não decorreu apenas durante as duas primeiras horas de cada turno, mas sim durante o período de trabalho completo, conforme se pode ler no comunicado da HPEM do dia 30 de Agosto de 2010:

…agora e de forma ilegal a greve ter sido estendida a todo o horário de trabalho.

Ver: Comunicado da HPEM

Ainda segundo o Comunicado da HPEM:

…verifica-se com incredulidade que nos períodos em que são pagas horas extraordinárias os trabalhadores apresentam-se ao serviço, regressando à greve assim que as horas passam a ser pagas ao valor normal.

De facto, eu próprio verifiquei que na zona onde habito (Abrunheira) a recolha do lixo foi efectuada no fim de semana de 28 e 29 de Agosto (Sábado e Domingo, quando normalmente só acontece ao Domingo), tendo o lixo voltado a ficar “amontoado” até 4ª feira, dia 01 de Setembro, quando os trabalhadores da HPEM terminaram a greve.

Pelos factos apresentados, verifica-se que:

as duas horas de greve a cada período de trabalho, tal como indicado no pré-aviso do STAL, não foram respeitadas pelos trabalhadores da HPEM
o facto de estar anunciada, no pré-aviso do STAL, a greve entre os dias 24 e 31 de Agosto, esta decorreu em dois períodos distintos: entre 24 e 27 de Agosto e posteriormente entre 30 e 31 de Agosto

Dos factos acima expostos, que correspondem à realidade, cada um poderá retirar as suas próprias ilações.

Considero que, tanto os trabalhadores da HPEM, como o STAL, demonstraram, com as suas atitudes, um enorme desrespeito pelos Sintrenses e pelo “direito à greve”.

Com estas atitudes, os trabalhadores da HPEM perderam toda a legitimidade que poderiam ter, com o argumento da”solidariedade para com os trabalhadores cujo contrato não foi renovado”, pois colocaram os seus interesses económicos acima da solidariedade anteriormente referida.

Assim, os trabalhadores da HPEM ficam muito mal vistos aos olhos dos Sintrenses (e também da Administração da HPEM) e deixam de contar com o possível apoio da maioria dos Sintrenses que, eventualmente, poderia concordar com as suas reivindicações.

É lamentável que em pleno século XXI ainda existam atitudes destas.

Como nota final, esclareço que, com este artigo não estou a defender a Administração da HPEM. Se foram cometidas ilegalidades pelos membros da Administração da HPEM estas deverão ser devidamente punidas.

Gloriosas saudações Barrosianas…..