O blog “Sintra 2013” publicou ontem (23 de Agosto) um artigo acerca de Fernando Seara, que passo a transcrever.

O Jornalista do jornal Correio da Manhã, Manuel Catarino, escreveu no passado dia 16 de Agosto, uma crónica intitulada “O grande educador“, em que descrevia os dotes oratórios de Fernando Seara, da seguinte forma:

O presidente da Câmara de Sintra, fala bem – principalmente, e aqui faço uma declaração de interesses, quando fala do Benfica. Ainda assim, não é um tribuno. O discurso é na maior parte das vezes arrastado, monocórdico, sonolento, redondo. Fernando Seara tem uma arte só ao alcance de uns poucos: é capaz de falar sem se comprometer com o que diz. Falou anos a fio, durante os mandatos de Vale e Azevedo, e nunca se percebeu se estava contra ou a favor. Tem realmente um dom: é capaz de gastar largo vocabulário para nada dizer – mas também é mestre na técnica de dizer não dizendo.

fonte: Correio da Manhã

Não sabemos se Manuel Catarino, afirmava aquilo, apenas em relação aos dotes oratórios, na componente desportiva ou se se referia a todo o tipo de discursos de Fernando Seara.

Mas, aqui vai uma achega, para a aplicação em sentido lato, do que afirmou o jornalista do Correio da Manhã.E esta achega, tem ainda mais interesse, porque decorre da leitura do Editorial da última revista municipal, escrito por Fernando Seara e que transcrevemos a seguir:

ESTE NOSSO TEMPO

Todos temos a estranha percepção de que vivemos tempos que marcarão profundamente a História. A dimensão da crise, tal como todos os dias nos é descrita e detalhada, é multivalente e perpassa todos os domínios da organização humana. Desde a economia, às finanças, à política, à justiça, à educação, à saúde, tudo se questiona e tudo parece disfuncional e em ruptura.

E tudo parece agravar-se momento a momento, como se em cada dia que passa descobríssemos vícios ignorados, incapacidades desconhecidas, obstáculos arrasadores.

A prosperidade e o bem-estar garantido por discursos inflamados e afirmações categóricas parecem torrões desmoronados num aluvião indómito.

O que tínhamos por certo temo-lo agora como incerto; o que projectámos do futuro liquefez-se num ápice como um comprimido se dilui num copo de água; da segurança passamos à ansiedade das incógnitas somadas sobre o futuro imediato.

O que temos como real é o vínculo comunitário, esta municipalidade que nos agregou e agrega e que será, nos próximos tempos, um dos mais efectivos sinais de identidade e de proximidade da nossa existência comum. É que Sintra, esta Sintra que é de todos, como escreveu Raul Lino “não se parece a qualquer outra terra”. É, como lhe chamou Mestre Gil, “muy esquiva e alterosa”. Na linha, afinal, dos tempos que vivemos!”

Fonte: Revista Municipal de Sintra (em PDF)

Neste editorial, Fernando Seara, ajuda a manter no ar, um denso e misterioso nevoeiro, sobre o concelho de Sintra, o país e quem sabe o mundo!

Enfim, mais uma peça cheia de tudo e de nada, que serve para sustentar a táctica, de que Sintra vive em “emergência social” e por isso a Câmara não tem recursos para mais nada.

Para terminar, deixo o meu comentário acerca deste assunto.

Apesar de “Sintra viver em emergência social e por isso a CMS não ter recursos para mais nada”, sempre que os interesses de alguns (que certamente não vivem em “emergência social”) o justificam, conseguem-se arranjar recursos, como por exemplo para a aquisição da Quinta do Relógio por mais de 6 milhões de euros num negócio cujos contornos são, no mínimo, estranhos.

Os outros, aqueles que realmente necessitam dos recursos que um executivo camarário responsável deveria disponibilizar devido à tal “emergência social”, podem continuar à espera.

Gloriosas saudações Barrosianas…..