O que é feito do verdadeiro "Espírito de Natal"?
Passou mais um Natal e cada vez mais me convenço que o Natal é uma época dedicada ao “consumismo desenfreado” e à “solidariedade hipócrita”.
O que é feito do verdadeiro “Espírito de Natal“?
A resposta é fácil: já não existe, desapareceu.
Actualmente o Natal é um conjunto de fenómenos associados a uma data do calendário Cristão que todos tentam aproveitar em seu próprio proveito. Senão, vejamos:
- as lojas incentivam ao consumismo
com o argumento do “espírito de Natal”, somos levados a comprar prendas, a preços que normalmente são superiores aos praticados durante o resto do ano, para logo a seguir ao Natal, as mesmas lojas começarem os saldos que vão até 50% ou 70% sobre os preços praticados anteriormente
- os grandes espaços comerciais promovem actividades para os mais novos
nomeadamente “pistas de gelo” e “visitas do Pai Natal”, com o intuito de levar os pais a fazer as suas compras nesses espaços enquanto os mais novos se divertem
- a publicidade a brinquedos
invade tudo o que são espaços comerciais televisivos a partir do início de Novembro, fazendo uma autêntica lavagem cerebral às crianças, que depois não dão descanso aos pais com os seus insistentes pedidos dos brinquedos que vêm anunciados na televisão
- as televisões oferecem-nos inúmeros “programas de solidariedade”
que acabam por ser repetições entediantes de actuações dos artistas da moda, em que todos somos convidados a contribuir para alguma causa solidária (através das chamadas de valor acrescentado, que tanto dinheiro dão a ganhar aos operadores de comunicações)
- os operadores de comunicações
esfregam as mãos de contentamento com a perspectiva dos lucros provenientes dos milhões de mensagens e chamadas de boas festas com que os portugueses se brindam uns aos outros nesta época
- as pastelarias fazem cada vez mais negócio
com a venda dos doces típicos da época, valendo-se do comodismo cada vez maior daqueles que não se querem cansar nem perder tempo a fazer os seus doces em casa
Nos dias que correm, o “Espírito de Natal” não passa de “consumismo desenfreado” e uma dose q.b. de “solidariedade hipócrita” de quem se lembra dos mais necessitados apenas nesta época, tudo porque “parece bem” e “é Natal”.
Como alguém uma vez disse, “Natal é quando um homem quiser”.
Concordo plenamente com esta frase, o que me leva a dizer que a solidariedade pode, e deve, ser praticada durante todo o ano.
Não queria mencionar questões religiosas, mas não posso deixar de referir o facto de este ano até a Missa do Galo no Vaticano ter sido antecipada 2 horas, num claro sinal de que até a Igreja Católica começa a deixar-se levar por esta perda do “Espírito de Natal” com a “desculpa” do estado de saúde do Papa Bento XVI. Daqui a alguns anos, talvez tenhamos a Missa do Galo no Vaticano a ser celebrada na tarde do dia 24 de Dezembro.
É por tudo isto que, cada vez mais, considero o Natal como sendo apenas mais um feriado no calendário e a pior época do ano para fazer compras.
Aproveito para desejar a todos um bom ano de 2010.
Gloriosas saudações Barrosianas…..
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Nuno Barros em 28/12/2009 às 12:30 na categoria Opinião. Pode seguir as respostas a este artigo através de RSS 2.0. No final desta página pode escrever uma resposta. |
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há cerca de 2 anos
Não se pode negar!
Realmente é notável o grande consumismo das pessoas nesta época do ano. Mas apesar de muitos não se importarem com questões de solidariedade e estarem com pensamentos voltados apenas para si nesta data do ano, não se pode generalizar!
Infelizmente a grande maioria se encaixa neste perfil, mas existem aqueles, muito poucos mas existem, aqueles que ainda se preocupam, e tentam ajudar da maneira que podem os mais necessitados! Estes são aqueles que pensam no coletivo!
Dizer que todas as pessoas só pensam em consumismo e submetem à uma solidariedade hipócrita nesta data do ano, seria o mesmo que dizer: “todas as pessoas do mundo são ruins, não tem amor ao próximo e só pensam em si mesmas”
há cerca de 1 ano
Muito resumidamente… Parabéns, bem escrito!